segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Veja abaixo alguns procedimentos fundamentais para criação de um bom texto.

1. Ler com extrema atenção o tema da redação, porque o primeiro item de correção de uma redação é adequação ao tema. Tema mal lido e mal compreendido prejudica muito o desempenho em redação;
2. Realizar três tipos de leitura do tema: a) compreensiva - ler o que está escrito na superfície do texto, identificando, por exemplo, tese, argumentos etc.; b) interpretativa - ler as entrelinhas, isto é, aquilo que está implícito no texto, identificando os pressupostos, os subentendidos e os motivos pelos quais o texto foi escrito; c) ideológica - ler o texto situando-o dentro do contexto histórico em que foi produzido;
3. Formular um posicionamento claro sobre o tema, isto é, formular uma opinião própria, pessoal sobre o tema;
4. Elaborar um projeto de texto, ou seja, elaborar um planejamento do texto a partir de uma linha de raciocínio bem definida. Para o sucesso desse planejamento, é necessário conhecer algumas estratégias a serem empregadas já na introdução como, por exemplo, síntese de idéias, analogia, bilateralidade, posicionamento definido, questionamento, ressalva, retrospectiva histórica etc.;
5. Construir parágrafos como mini-redações, ou seja, com início, meio e fim.
6. Considerar que um parágrafo é um conjunto de períodos em torno de uma única idéia central ou de um único tópico frasal, cujo início deve ser marcado pela presença de uma margem bem acentuada do lado esquerdo da folha de papel.


ATENÇÃO


O novo acordo ortográfico da língua portuguesa (I)

Alfabeto: 1. Incorporação, no alfabeto da língua portuguesa, das letras K, Y e W.

Antes do acordo - Darwin, Wagner, Kuwait, Km, Kg, Yeda, Ely, byroniano, Franklin, Kant, taylorista, Kwanza, malawiano, KLM, Watt, Kardec, Kepler, Washington, WWW, kart, yoga.

A partir do acordo - Darwin, Wagner, Kuwait, Km, Kg, Yeda, Ely, byroniano, Franklin, Kant, taylorista, Kwanza, malawiano, KLM, Watt, Kardec, Kepler, Washington, WWW, kart, yoga.


2. Manutenção ou simplificação, nos nomes próprios hebraicos de tradição bíblica, dos dígrafos finais – ch, - ph e th –pronunciados.

Antes do acordo - Baruch, Enoch, Moloch, Loth, Ziph.

A partir do acordo - Baruch ou Baruc, Enoch ou Enoc, Moloch ou Moloc, Loth ou Lot, Ziph ou Zif.

Fonte: O novo acordo ortográfico da língua portuguesa - o que muda o que não muda. Maurício Silva (Editora Contexto)



Profª Márcia Garcia
Mestre em Letras e Especialista em Literatura e Ensino de Literatura pela UNESP. Professora de Gramática, Literatura e Redação no CENAPHE (Centro de Aperfeiçoamento Humano Educacional Profª Márcia Garcia).
e-mail: marciaagarcia@yahoo.com.br
Abordagem de temas

O tema reorienta a linguagem. Observe, por exemplo, dois temas diferentes: um enterro e uma festa. Você usaria a mesma linguagem? É claro que não, porque as circunstâncias de ação apontam as palavras. O tema, portanto, implica um tratamento de estilo e vocábulos.
Evidente que, para focalizar o tema, é preciso saber interpretá-lo. O texto que não aborda o tema proposto é nulo de valor e desperta em quem lê a sensação de que foi ludibriado ou a convicção de que o sujeito produtor tem medo ou ignora o assunto focalizado.
Ë claro, porém, que o enfoque a ser dado ao tema dependerá do tipo de texto que você vai elaborar. Se se trata de um texto literário, você lhe dará uma interpretação baseada em sua própria experiência pessoal, segundo sua própria maneira de ver.
Se, contudo, você compõe um texto não-literário, deverá dar uma interpretação objetiva, limitando-se a fatos já comprovados, as verdades já objetivamente constatadas. Mas a abordagem objetiva de um tema, não implica uma acei­tação passiva das idéias lançadas no tema. Abordar o tema com objetividade é sinônimo de você revelar que compreendeu o tema proposto e, por isso, vai de­senvolver um raciocínio lógico que expresse as suas idéias sobre ele. Sua redação deve revelar o que você pensa sobre o tema.
E, ainda que o tema exija reflexões sérias e ponderadas e seja desenvol­vido num tom solene e grave, isso não impede o autor de personalizar o texto com a sua originalidade, o que explica muitas vezes o caráter altamente inte­ressante de livros estritamente técnicos.
Posto isso, tente analisar os temas a seguir, os quais vêm sendo solicitados, ao longo dos anos, nos mais diversos vestibulares:


(UFSCAR) Globalização: a influência do Ocidente no padrão de beleza mundial – causas e conseqüências.
(UNIFESP) Os cuidados com a infância de hoje para um mundo melhor no futuro.
(UEL) O avanço da ciência e as implicações das novas descobertas não só para a comunidade científica, mas para a sociedade como um todo.
(VUNESP) Viver é muito perigoso...
(VUNESP) Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
(FEI) O desenvolvimento tecnológico num país em crise.
(FA-PIRASSUNUNGA) A integração do deficiente físico na sociedade.
(E.E.MAUÁ-SP) Não coma gato por lebre.
(UEM) O sucesso da minha vida será o resultado do meu esforço.
(FMTN) A adolescência é ao mesmo tempo um fim e um começo.
(UEL) A verdadeira liderança está no saber repartir responsabilidades.
(UEPI) A certeza de hoje nasce da lembrança de ontem.
(SANTA CASA-SP) Ao direito de falar corresponde necessariamente o dever de escutar.
(FEI-SP) Cachorro que late não morde.
(FATEC) A terra é azul.
(GV) Flores mortas no chão.
(SANTA CASA-SP) Não existe ninguém tão ignorante que não nos possa ensinar algo.
(FGV) E cada instante é diferente, e cada homem é diferente, e somos todos iguais.
(FATEC-SP) "Matamos o tempo; o tempo nos enterra." (Machado de Assis - Me­mórias Póstumas de Brás Cubas)
(UFMT) Ninguém dialoga sozinho, mas muitas vezes obrigam-nos a suportar o monólogo alheio.
(PUC-SP) Um ser humano...
(PUC-SP) As conquistas e as perdas das mulheres devido à sua emancipação.
(UFSCAR) O papel das manifestações estudantis no processo de democratização social.

Profª Márcia Garcia
Mestre em Letras e Especialista em Literatura e Ensino de Literatura pela UNESP. Professora de Gramática, Literatura e Redação no CENAPHE (Centro de Aperfeiçoamento Humano Educacional Profª Márcia Garcia).
e-mail: marciaagarcia@yahoo.com.br
Novo Acordo Ortográfico da Língua Português – Uso do Hífen

A seguir, apresentamos um resumo das regras que orientam o uso do hífen com os prefixos mais comuns, assim como as novas orientações estabelecidas pelo Acordo. As observações a seguir referem-se ao uso do hífen em palavras formadas por prefixos ou por elementos que podem funcionar como prefixos, como: aero, agro, além, ante, anti, aquém, arqui, auto, circum, co, contra, eletro, entre, ex, extra, geo, hidro, hiper, infra, inter, intra, macro, micro, mini, multi, neo, pan, pluri, proto, pós, pré, pró, pseudo, retro, semi, sobre, sub, super, supra, tele, ultra, vice etc.
1. Com prefixos, usa-se sempre o hífen diante de palavra iniciada por h. Exemplos: anti-higiênico / anti-histórico / co-herdeiro / macro-história / mini-hotel / proto-história / sobre-humano / super-homem / ultra-humano. Exceção: subumano (nesse caso, a palavra humano perde o h)
2. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal diferente da vogal com que se inicia o segundo elemento. Exemplos: Aeroespacial / agroindustrial / anteontem / antiaéreo / antieducativo / autoaprendizagem / autoescola / autoestrada / autoinstrução / coautor / coedição / extraescolar.
Exceção: o prefixo co aglutina-se em geral com o segundo elemento, mesmo quando este se inicia por o: coobrigar, coobrigação, coordenar, cooperar, cooperação, cooptar, coocupante etc.
3. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por consoante diferente de r ou s. Exemplos: anteprojeto / antipedagógico / autopeça / autoproteção / coprodução / geopolítica / microcomputador / pseudoprofessor.
Atenção: com o prefixo vice, usa-se sempre o hífen. Exemplos: vice-rei, vice-almirante etc.
4. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por r ou s. Nesse caso, duplicam-se essas letras. Exemplos: antirrábico / antirracismo / antirreligioso / antirrugas / antissocial / biorritmo / contrarregra / contrassenso / cosseno / minissaia / multissecular / neorrealismo / neossimbolista / semirreta / ultrarresistente / ultrassom.
5. Quando o prefixo termina por vogal, usa-se o hífen se o segundo elemento começar pela mesma vogal. Exemplos: anti-ibérico / anti-imperialista / anti-inflacionário / anti-inflamatório / auto-observação / contra-almirante / contra-atacar / contra-ataque / micro-ondas / micro-ônibus/ semi-internato / semi-interno
6. Quando o prefixo termina por consoante, usa-se o hífen se o segundo elemento começar pela mesma consoante. Exemplos: hiper-requintado / inter-racial / inter-regional / sub-bibliotecário / super-racista / super-reacionário / super-resistente / super-romântico
Atenção: • Nos demais casos, não se usa o hífen. Exemplos: hipermercado, intermunicipal, superinteressante, superproteção.
• Com o prefixo sub, usa-se o hífen também diante de palavra iniciada por r: sub-região, sub-raça etc.
• Com os prefixos circum e pan, usa-se o hífen diante de palavra iniciada por m, n e vogal: circum-navegação, pan-americano etc.
7. Quando o prefixo termina por consoante, não se usa o hífen se o segundo elemento começar por vogal. Exemplos: hiperacidez / hiperativo / interescolar / interestadual / interestelar / interestudantil / superamigo / superaquecimento / supereconômico / superexigente / superinteressante / superotimismo
8. Com os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró, usa-se sempre o hífen. Exemplos: além-mar / além-túmulo / aquém-mar / ex-aluno / ex-diretor / ex-hospedeiro / ex-prefeito / ex-presidente / pós-graduação / pré-história / pré-vestibular / pró-europeu / recém-casado / recém-nascido / sem-terra
9. Deve-se usar o hífen com os sufixos de origem tupi-guarani: açu, guaçu e mirim. Exemplos: amoré-guaçu, anajá-mirim, capim-açu.
10. Deve-se usar o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam, formando não propriamente vocábulos, mas encadeamentos vocabulares. Exemplos: ponte Rio-Niterói, eixo Rio-São Paulo.
11. Não se deve usar o hífen em certas palavras que perderam a noção de composição. Exemplos: girassol/ madressilva / mandachuva / paraquedas / paraquedista / pontapé
12. Para clareza gráfica, se no final da linha a partição de uma palavra ou combinação de palavras coincidir com o hífen, ele deve ser repetido na linha seguinte. Exemplos: Na cidade, conta--se que ele foi viajar. / O diretor recebeu os ex--alunos.
http://images.ig.com.br/hotsites/reforma_ortografica/Guia_Reforma_Ortografica_CP.pdf

Profª Márcia Garcia
Mestre em Letras e Especialista em Literatura e Ensino de Literatura pela UNESP. Professora de Gramática, Literatura e Redação no CENAPHE (Centro de Aperfeiçoamento Humano Educacional Profª Márcia Garcia).
e-mail: marciaagarcia@yahoo.com.br
O monstro

Desde o fundo insondável das idades, os homens encontram-se em sociedade sobre a Terra, no sentido de terem sempre existido em maior ou menor número, pois nem mesmo no Éden bíblico houve a completa solidão. Talvez porque poucas coisas doam tanto, maltratem tanto quanto a solidão. Dizem, mesmo, que só os santos, os sábios e os loucos conseguem suportá-la.
Assim, nossa vida depende de outras vidas, nosso mundo vai sendo feito por muitas mãos, somos todos tripulantes do mesmo barco, igualmente expostos aos temporais e aos naufrágios. Juntos recebemos, também, as graças das naturezas, compartilhamos todos idênticas leis biológicas, temos todos o mesmo estágio embrionário no seio materno, e partimos todos, um dia, envolvidos pelo mesmo silêncio irremediável que nos desliga da corrente humana que se agita sobre a Terra.
A inevitabilidade da vida, e da vida entre os demais seres humanos, deveria exigir que nos conhecêssemos uns aos outros, antes de mais nada, que nos compreendêssemos e nos ligássemos como num batalhão se arregimenta para defesa comum, como o coral se reúne para produzir harmonia.
O estado de criatura humana, a condição de criatura humana, deveria ser santo e senha para qualquer ser humano, através de todos os quadrantes da Terra. Não se negará que seria, essa, a recomendação da lógica, da intuição, do simples bom senso. Mas, talvez porque um dia, por uma fração de segundo, os primeiros homens tivessem tido a faculdade de criar, eis que criaram um monstro para seu próprio uso. Deve ter sido assim que surgiu, desde o início dos tempos, essa força impiedosa, dominadora e eficiente, que separa os homens, atirando-os uns contra os outros, que fez desse pobre grupo de peregrinos, cuja origem e cuja meta são exatamente as mesmas, um rebanho tresmalhado a bater-se pelos sombrios campos da cizânia.
Essa força é o medo. O medo gerou a prepotência, deu nascimento à crueldade. O medo disfarçou-se em heroísmo, e embelezou a carnagem, o saque, a invasão, a escravização, o massacre. O medo tem sido responsável pelos acontecimentos sangrentos que a humanidade aprendeu a reverenciar como sublimes. O medo destruiu santos e profetas. O medo crucificou Jesus Cristo. Atrás de cada ato que violência há sempre o medo, o abjeto terror.
Se pudéssemos criar no mundo condições de vida em que, para existir dignamente, ninguém precisasse descer à sabujice, sucumbir à corrupção, aceitar desigualdades tão marcadas, viver na estacada, sempre pronto ao ataque ou à defesa, afiando eternamente as garras para melhor rasgar carnes e sentimentos alheios, flectindo os dedos para melhor reter no côncavo da mão tudo quanto possa recusar o próximo - teríamos aprendido a nobre ciência, a ciência das relações humanas.
Mas o homem vive respirando uma atmosfera envenenada pelo medo. Receia perder a vida que não lhe pertence, os bens de que é simples depositário, o amor que não sabe conservar, a situação que suspeita não merecer. E por medo mata, por medo rouba, por medo mente, por medo calunia, por medo bajula, por medo se humilha, por medo odeia, por medo é infinitamente desgraçado. Cultivando o medo, cultiva a desconfiança, a insegurança, a discriminação, o preconceito. Querendo afirmar-se, desejando refinar-se, só o sabe fazer negando alguém, frustrando alguém. Os regimes despóticos prosperam à sombra do medo, do medo que alucina, que anula os sentimentos, que dobra orgulhos, que desagrega sensibilidades. Do medo que produz espiões, que favorece a vingança.
Assim entre os homens como entre as nações, assim entre as raças como entre os credos, cavamos, homens e povos, nossas próprias trincheiras, e nelas ficamos atolados, sem desejar saber se ali adiante, na outra trincheira, haverá alguém a quem poderíamos dar, e de quem poderíamos receber, o beijo fraterno. (Nair Lacerda)

Profª Márcia Garcia
Mestre em Letras e Especialista em Literatura e Ensino de Literatura pela UNESP. Professora de Gramática, Literatura e Redação no CENAPHE (Centro de Aperfeiçoamento Humano Educacional Profª Márcia Garcia).e-mail: marciaagarcia@yahoo.com.br